Todos reunidos para o one night only, ávidos. Os olhos sedentos por vidas em invisíveis fios sustentadas. Um pouco marionete, um tanto acrobata, um nada ilusionista, ele ensaia mentalmente o número para que pareça improviso.
No circo sem lona, nunca se sabe quando ocorrem os números. A alguns lhes apetece vigiar um artista só, por tempos infindos, de modo a garantir que aquele show não perderão. Esses costumam padecer seriamente de fixidez. Seus pescoços se alongam demasiado e os olhos avermelham do enorme esforço de não piscar. Deles zombam os outros, mais agitados, que buscam o maior número de atrações possível. Olham e correm em desespero a todo lado, buscando abarcar o mundo. Suas orelhas são grandes e o pescoço meio engolido pelos ombros, em constante frisson. Há ainda um terceiro tipo, que critica cabisbaixo os dois primeiros, dizendo ser tolice pensar que é possível captar a totalidade tanto do tempo quanto do espaço. Destes, no entanto, apenas se ouve falar.
Todos se pensam espectadores. Ninguém entende que faz também parte do show, até o momento dos aplausos - ou vaias. Quando segue o silêncio, segue o suspense. Todos são artistas em potencial.
O marionete-acrobata-ilusionista sem saber cansa de olhar. Corta os fios que já não via. Salta. Todos prendem a respiração. Magnífico. Um - dois - três giros no ar. E a violenta pancada vermelha no chão. Performance de Zubrod.
Sinto muito se a linguagem parece mal trabalhada... O esforço emocional já foi suficiente.