Ampulheta pequena, de imagem e ação. Mas usávamos no jogo da vida, em versão nossa, tão secreta.
O médico disse um dia, sério até os pêlos da orelha: seis meses, um ano quando muito.
Parecia que viradas incontáveis da ampulheta viriam. Haveria nas reviravoltas um tempo para construirmos juntos.
A areia era pouca para castelos. Nada, no entanto, importava a mim, que nunca tivera pendores de princesa.
Jogamos tudo. Máscaras, esconderijos, tudo fora. Você conhecia todos os movimentos meus, mas fingia ignorar, só pelo prazer de me ver sorrir com nariz de imprevisível.
Nunca deixamos a sorte aos dados. Talvez devêssemos. Eles continuam bem trancados na caixa sob a cama.
De impolutas damas, sisudos detetives e russas roletas se fizeram nossos dias. Foi nossa quase infância de novo, ou não. Aqueles fins de semana chuvosos em que do aborrecido de ficar em casa emergia o gosto da fantasia, da brincadeira.
Com a vida não se brinca, diziam os mais velhos. Não fazíamos caso desses ditos gastos.
E brincávamos e jogávamos, tão verdadeiramente que o lúdico nos tomou o lugar da vida.
Mal víamos que a ampulheta infernal corria, alargando seus espaços e nos encolhendo a respiração.
Disseram um dia que eletricidade transforma areia em vidro. Rimos. Não acreditei.
Um dia veio o choque, e meu tempo parou, vítreo. O seu havia findado, aéreo.
Xeque-mate. Essa me passou invisível.
Sem cartas na manga, joguei a toalha. Pedi tempo. Por que não fiz isso antes?
Tentei me esconder. Alguém sempre me achava. Só eu não conseguia me encontrar.
Enquanto houver jogos nossos a serem completados, vou seguir jogando. Ninguém mais conhece meus blefes. Posso ganhar. Mesmo com a ampulheta sem areia.
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Pode soar como quiz show, mas não é:
Eu... só queria saber como está pra você embaixo da terra.
Só pra lembrar que desde que você partiu eu perdi meu grande parceiro nessa loucura de vida.
Gostei mtoo
ResponderExcluirpeço para q vc me siga no twitter pois eu estou divulgando seu blog lá @divulgandoblog