Um longo suspiro...
O olhar perdido, a não-voz beckettiana. Nada. Absolutamente nada. Nem mesmo o horror inexprimível! Vazio sem fim. Sem narrador, sem ouvinte, sem história. Nada. Nem mesmo o horror inexprimível. Nada de luz, mas sem trevas. Nada, realmente. Nem mesmo o horror inexprimível... Visão, nenhuma. Nada que faça sentido. Nonsense ausente. Nada. Nem mesmo o horror inexprimível? Impossível qualquer afirmação que se possa negar. Menos ainda do que o nada.
Um longo suspiro... Não! Nada! Nem mesmo o horror inexprimível? Nem mesmo o horror inexprimível... Nem mesmo o horror inexprimível. Nem mesmo o horror inexprimível!
Nem mesmo o horror, nem mesmo, nem o mesmo, nem nada!
Um último longo suspiro, vazio, agora. Só o tempo... Nem mais o tempo.
Nada. Nada até encontrar um porto... Não! Nada. Nada até o horror inexprimível. Alcança o horror! Agarra-se ao horror! Nada e se apega ao horror! Fica
Silêncio... Não! Nada! Nada que se possa dizer... Nada! Sem consciência, sem inconsciente ou o que quer que seja. Nada. Sem inexistência, sem nada. Nem mesmo o horror inexprimível.
Curto suspiro, mentiroso... Nada! Nem vida, nem morte, nem sobrevida. Coisa outra, não inexprimível... Apenas nada! Nem mais a palavra... Nem o direito ao fim... Nem suspensão de juízo. Nem fluxo verbal interrompido... Nada!
Suspirado em "A piece of monologue" e na existência de Beckett. Só porque às vezes dá vontade de resgatar textos da época de adolescência.
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